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2.4.10

Super-Hero

Se há coisa que dou valor, é estudar e trabalhar ao mesmo tempo. Ainda por cima, trabalhar a full-time num trabalho que consome a mioleira e ainda ter energias para ir à escola de noite. Se além disso adicionarmos o facto de no emprego ser-se obrigado a trabalhar em várias línguas, e a escola ser integralmente em nederlands (língua cujo primeiro contacto foi feito apenas à cerca de 4 anos), então a pessoa que anda a fazer isto transcende a inteligência e força de vontade humana.
Tentar ter um bom desempenho já seria de louvar mas, obter resultados p'ra cima dos 80% (e alguns a rondar os 90%) na maior parte dos exames só vem frisar a transcendência acima descrita.
É por tudo isto que a partir de hoje, elevo senhora dona Joana Ferraz, amiga, companheira, namorada, amor da minha vida, ao grau de Super-Hero.


O crachá tirado à sorte não podia ter sido mais certeiro. Quando for grande quer ser como tu mas sem orelhas de playmate. Love u.

30.3.10

Depois da festa




O casamento já passou e estava tudo muito bom, e ao que parece toda a gente gostou. Saímos de lá às 5 da madrugada, a Joana totalmente sóbria e eu, totalmente bêbedo. Mas foi um evento atípico desde o início, já que a noiva chegou primeiro que o noivo à Embaixada (o trânsito em Bruxelas mete o de Lisboa a um canto).

25.3.10

Preparativos para o Casório 2/2


Acabei de fazer uma mousse de chocolate caseira com 24 ovos. Parecia um cozinheiro de refeitório. A Joana vai no seu segundo pudim d'ovos, com o terceiro já em preparação. Até ao meio-dia temos doces para matar aí uns 150 diabéticos.
Ontem foi o dia de montar a tenda no jardim dos cunhados e decorar as mesas. Espetar as tochas e iluminar a relva. Ainda estamos à espera das 90 rosas naturais que chegam hoje, e às 13.30 vamos buscar a botija de hélio a Sint-Katelijne-Waver para encher uns balões todos catitas que dizem "Casados de Fresco" em português de Londres. As coisas começam a tomar rumo. Só nos está a preocupar a chuva que os boletins meteorológicos anunciam para amanhã, pois apesar da tenda ser totalmente coberta, é possível que o relvado fique empapado, tornando-se num terreno bastante apropriado para saltos altos, not.
A decisão de se fazer uma festa do calibre de um casamento em casa é bastante arriscada e sobretudo, cansativo. É diferente de chegar a uma quinta, sentar e comer. Aqui, temos de fazer tudo, e mesmo durante o casamento, nós, familiares mais chegados, não seremos simples convidados. Mas sem dúvida que, para um casamento pequeno (de cerca de 50 pessoas como este), fazê-lo desta forma torna-o muito mais intimista, e no fim de contas, sermos nós a fazermos as decorações e a termos as ideias é muito mais divertido que escolher de um catálogo. Para não falar que as coisas que fazemos, não as fazemos porque somos profissionais, mas porque nutrimos carinho pelos noivos...

22.3.10

Preparativos para o Casório 1/2


Calma, ainda não chegou a minha vez de me atar à bola de chumbo e atirar-me para o penhasco do matrimónio. Sinceramente também não penso no casamento como a frase que acabei de escrever. É mais o cliché da liberdade perdida e bla bla bla. No meu caso, se me casasse agora, tudo iria continuar na mesma (a não ser o saldo bancário) já que vivo em união de facto com a minha namorada. O caso dos meus cunhados é igual. Vão casar-se mas já vivem juntos há algum tempo, primeiro na casa dos pais dela, e depois na sua própria casinha.
Mas o que me levou a escrever este post foi, a quantidade de lixo em formato mp3 que me está a passar neste preciso momento pelas mãos. Emanuel, Clemente, colectâneas de música pimba, reggaeton, baladas peçonhentas, tudo o que nunca entraria no meu precioso Macbook, não fosse esta ocasião especial. Estou encarregue de organizar a música, e claro que não vou meter aquela gente toda a ouvir rock dos anos 70 ou Delta Blues, com imensa pena minha. Também estou encarregue das decorações em fruta, e de muitas outras coisas. Vai ser giro.

21.3.10

Mário "O Travesti da Margem Sul"


Aquele método de me enfrascar antes de ir para a discoteca resultou. Aliás, superou as expectativas, as minhas e as de quem me conhece. Parecia que tinha nascido durante as gravações do Saturday Night Fever e fui dos últimos do meu grupo a abandonar a pista. Resultado: hoje tenho pintado várias sanitas à pistola (porque entretanto almocei na casa da cunhada Mara, e tomei café na minha mãe).
Outro resultado é essa foto aí em cima que no futuro, poderá muito bem comprometer a minha vida profissional, quando alguém a descobrir e tiver a feliz ideia de a imprimir e afixar numa parede. Qualquer explicação posterior será encarada como desculpa.

20.3.10

I'm a Disco Animal, Not!


Estou em estágio para uma noite de discoteca. Isso significa beber uns copos de whisky puro enquanto oiço House Music. Para quê? Perguntam vocês. Para familiarizar o meu sistema imunitário ao tipo de música que terei de ouvir durante horas a fio enquanto tentarei mexer o corpo no que me parece ser o ritmo certo, tímido mas certo. O álcool é para me poder divertir, em vez de me encostar a um canto a segurar casacos. Pois, parece que pertenço aos 0,0001% da população mundial da minha idade que não entende como pode ser divertido sentir as vibrações de um bass extremamente elevado ao ponto de se me estremecerem os genitais enquanto mexo o resto do corpo. Mas hoje, é a despedida de solteiro dos meus cunhados, e os noivos vão festejar juntos, coisa que aqui na Bélgica é bastante usual, portanto, não posso fazer papel de outsider. Resumindo, há que estar quentinho para entrar no mood. A ver vamos se resulta.

Namorada Manga


Agora tenho uma namorada Manga. Com um corte de cabelo assim tipo japanese school girl. Mas por amor à santa, os japónios são uns perverts! Não calculam a dificuldade que tive em arranjar uma imagem deste tipo sem pornografia à mistura. Qual é a cena deles com desenhos animados de meninas do colégio?

19.3.10

Half Webdesigner, Half Babysitter

Ontem fui convidado para criar o website do restaurante Riccione da Enzo aqui de Mechelen. É um restaurante italiano com pinta, novinho em folha e cujo chef de la cuisine é o meu padrasto Luís. Estou a pensar cobrar-lhes jantares à descrição para (nós) dois, em troca dos serviços. Hoje, se tiver tempo vou lá fotografar o espaço para poder começar a fazer o tratamento das imagens e depois mostro como ficaram, claro. Se tiver tempo porque, antes disso vou cuidar da minha sobrinha de leste enquanto a avó vai ao médico. Espera-se muita baba, e fraldas cagadas.

Update: Lembrei-me agora que hoje é dia do pai. Quer dizer que posso entender isto como um workshop para a paternalidade.

17.3.10

Integrado mas português

Sempre fui fascinado pelo prof. José Hermano Saraiva. Desde pequeno. Quando os seus programas passavam na RTP2 ficava colado ao ecrã, mesmo que houvessem desenhos animados como alternativa nos outros canais. Mais tarde percebi o porquê. Se bem que sou um interessado confesso em tudo o que seja passado (incluindo História), o senhor é dono de uma retórica cativante que prende até o mais desatento dos espectadores. E mesmo sabendo que foi ministro durante o Estado Novo, e que por vezes romanceia as situações e mistura factos com artifícios narrativos, ele fá-lo de forma irrepreensível transformando temas potencialmente secantes em entretenimento cultural. Ou fazia, porque não estou bem certo se aos 91 anos ainda será um historiador/apresentador activo. Talvez não.
Mas para isso mesmo existe o saudosismo, e foi assim que deitei as mãos a isto:


A História Essencial de Portugal em 6 volumes, desde as origens do território à actualidade.

Hoje fiz questão de mostrar o primeiro episódio ao Gonçalo, porque isto de aprender neerlandês e a história do seu país de acolhimento na escola é muito giro mas apenas se não perder a sua própria identidade. Tenciono, um dia, fazer o mesmo com os meus filhos pois esses, se nascerem em território belga e frequentarem os sistemas de educação daqui desde pequenos terão mais tendência a negligenciar aquilo que é o nosso legado enquanto povo que nas suas origens é acima de tudo multicultural, mas cujos séculos se encarregaram de cimentar enquanto nação independente. Com o meu irmão, presumo que nunca haverá o risco de desconhecimento total já que os primeiros 12 anos da sua vida foram passados em Portugal, mas nunca fiando, há que estimulá-lo com este tipo de conteúdos, pois algo que sempre me irritou foram aqueles emigrantes que quando voltam ao país nem a sua própria língua conhecem, quanto mais a sua história...

Aproveito então para convidá-los a dar uma espreitadela no seu blog, onde diariamente tem oportunidade de praticar o seu português (que à data da mudança de país ainda não era perfeito) paralelamente aos seus bons resultados na escola em relação à aprendizagem do nederlands.

1.3.10

O Irritante

Não sou um adepto fanático, nem tão pouco um simpatizante fervoroso mas possuo os conhecimentos futebolísticos suficientes e a sensação inexplicável de que aquela camisola também é minha para poder dizer que sou sportinguista. Claro que não levo isso ao extremo e que, passo bem sem ver um jogo do meu clube se tiver algo bem mais interessante para fazer (tal como passar um domingo relaxante com a minha tripeirinha). Contudo, dá-me um gozo imenso achincalhar as pessoas. Qualquer uma, incluindo a minha própria família. E ainda me dá mais gozo quando essa pessoa passa a vida a achincalhar-me a mim. É nesse sentido que acabo de enviar uma mensagem ao meu sogro com o seguinte texto:

"Então sr. Nélson, como se sente nesta 2ª feira chuvosa? Sabe que a chuva deixa os campos mais VERDINHOS?"

Claro que a minha falsa subtileza vai ter resultados. Já amanhã, quando for jantar a sua casa. E o tema vai ser futebol, e eu vou perder a argumentação, mas não interessa porque ganhámos o jogo. E a vitória foi duplamente sentida porque, para além do Sporting ter ganho (com números expressivos), o FC Porto perdeu.

PS: E com isto também acabei de irritar a filha do meu sogro.

Update: Recebi um telefonema cuja primeira frase foi: "Queres que te f%$& pá?"

19.2.10

Para a minha sobrinha

Olhar para ti é ver o futuro num espelho. É sentir que o que já passou ser-te-á novidade, a cada momento uma descoberta, uma reacção daquelas, novas, como se observasses pela primeira vez, o que de facto nunca viste. Nunca sentiste, nunca sequer pensaste que poderias sentir. É em ti que reside a esperança, e é a ti que te será atribuída a responsabilidade de transformar o que nunca transformámos. Vontade. Ficamo-nos sempre pela vontade de ter vontade de fazer mas raras são as vezes que fazemos, e quando o mal está feito, foi sem vontade, claro. Sem o propósito de, sem a intenção de, com a negligência de. Todos nós.

Olhar para ti é ver a esperança, a utopia de que tudo seria perfeito, se não te tornasses no que somos, se o teu tal futuro não fosse um espelho do nosso. Desconsola-me saber que as novidades que estão por vir serão descobertas exactamente da mesma forma que nós descobrimos. A errada. É humano, bem sei.

Olhar para ti, consciente da inconsciência que nos move, é acima de tudo, irónico. Tão frágil, mas tão certa. Por ainda não teres sido envenenada pelo arsénico que respiramos.

Olhar para ti é, no meio deste desespero, reconfortante.

29.12.09

O Natal...



... mesmo sem o valor de antigamente, serve mais que não seja, para proporcionar uma reunião de família.

10.10.09

I'm a jamaican in New York

Faz hoje um ano que desembarquei em Bruxelas. A esta hora, já tinha mais de uma hora de voo e estava muito nervoso. Era a primeira vez que voava sozinho, ainda para mais sabia que tão cedo não poderia voltar a Portugal.
Deixei grande parte da família (porque o resto vive por estas bandas), os amigos, a minha cidade, tudo ficou para trás. Durante dois meses, trabalhei em Eindhoven (Holanda) durante a semana e passei alguns fins-de-semana em Antwerpen (Bélgica), entre a casa do meu pai e a da minha tia. Para alguns, a minha viagem foi um acto de cobardia e bla bla bla mas gostava de os ver passar por algumas situações que passei, e por momentos de solidão que só quem está sozinho fora do país compreende. Hoje tenho tudo muito mais facilitado. Mudei-me para Antwerpen, tenho uma relação feliz com a pessoa mais maravilhosa deste mundo, trabalho com o meu pai, tio e primo, a minha tia mora por cima, e entretanto trouxe a minha mãe e o meu irmão para cá. Hoje sinto-me me casa. Faltam algumas pessoas mas, eu já vivia antes delas entrarem na minha vida. E sinceramente não me arrependo de nada. Lutei para ter aquilo que me faz sentir feliz e não tenho qualquer tipo de vergonha em sublinhar que trabalho numa ETAR, e que muitas vezes preciso usar galochas de borracha para proteger os pés de lamas biológicas a que eu, carinhosamente chamo merda. Mas essas galochas já possibilitaram não deixar faltar nada à minha mãe no primeiro mês que cá esteve (que conseguiu trabalho em regime efectivo - graças à Joana e à sua família - e que no dia 1 de Novembro vai morar para a sua própria casinha), nem tão pouco ao meu irmão que se está a integrar muitíssimo bem numa escola belga onde aprende diariamente o holandês.
Confesso que me acho subvalorizado no meu trabalho e que consigo bem melhor mas, também sei que não abracei a carreira de alma e coração e que esta é apenas uma fase de transição até que me sinta realizado. De qualquer forma, para mim, a realização profissional é secundária. Já trabalho há alguns anos em coisas que não gosto e a única vez que me fui abaixo foi quando fiquei desempregado. Tenho espírito de sacrifício. Há quem não o tenha.
Feita a nota comemorativa do primeiro ano fora de Portugal, e do breve resumo do que isto tem sido, peço que fiquem atentos aos próximos posts. Ainda não decidi qual a regularidade com que actualizarei esta coisa, depois aperceber-se-ão...